dos 11 aos 13, Oficina do Livro
Para os pais que procuram uma iniciação aos mundos fantasiosos de um Tolkien ou Paul Stewart e Chris Riddel, ou mesmo um Terry Pratchett, este livro é uma boa opção. Pela riqueza do universo, pela realidade alternativa, e pela construção de uma ética que faz sentido mesmo (ou sobretudo) no mundo real.
A Mãe do Pequeno Leitor leu e abreviou a história ao Pequeno Leitor, usando as ilustrações como elo de ligação, porque o texto ainda é um tanto complexo. Mas veicula alguns valores importantes – e é de aproveitar quando eles pegam no livro, acham piada à capa e perguntam de que se trata.
Os Rumplings são criaturas muito fofas, de carinha peluda, e o seu mundo gira em torno dos alimentos. Os alimentos caem do céu alguns dias por semana e toda a sociedade é estruturada em função desse universo. Cada um tem o seu papel: mineiros, salteadores, sacerdotes… Mas, como acontece a todos em algum momento da vida, alguns começam a questionar-se. Afinal, porque caem os alimentos do céu? Os Criadores enviam-nos comida? O que torna um sabor, “um sabor”? Estas são as perguntas que alguns começam a colocar, sobretudo quando ficam intrigados com o desaparecimento súbito e inexplicável de alguns Rumplings.
Entram Rocket e o Xamã Ruffalo, os grandes protagonistas, que depressa descobrem que é Snifer quem está por trás dos desaparecimentos, tentando recrutar alguns Rumplings mais inocentes para se juntarem a uma espécie de nova seita, abdicando, em troca, de todas as suas posses. Ruffalo tenta avisar a comunidade, mas o aviso assusta mais do que ajuda, arrastando os ainda indecisos para o novo mestre. Quando os dois amigos sobem ao novo patamar deste universo, acompanhados de uma nova companheira de aventuras, dá-se um confronto e um tremor de terra, e não só o criador morre como os Rumplings que tinham mudado de vida quase a perdem. De volta ao seu mundo, quando tudo fica mais calmo, Rocket informa a comunidade que tinha armazenado alimentos para o eventual regresso dos companheiros e, depois de resolvidos os problemas, é eleito chefe de Kaér, essa aldeia que existe, afinal, nos pelos da barba de John.
Ora portanto, temos todo um universo na barba de um homem. As migalhas ganharam vida! “Que ideia tão gira, disse o Pequeno Leitor. Quando me cresce a barba, Mãe?”
Mas o importante a reter é mesmo a importância de pensarmos pela nossa própria cabeça, de não acreditarmos em tudo o que nos dizem, e que a verdadeira grandeza não está no material, mas nos valores que nos orientam, no nosso papel na comunidade.
Uma aventura que está apenas a começar.
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