dos 6 aos 10, Porto Editora
Se me dissessem há uns anos que teria de ler 4 novelas juvenis em menos de 4 noites, não acreditaria. Mas é verdade.
A Porto Editora cedeu-nos os exemplares todos da coleção (incluindo a novidade que acaba de sair) que anda a fazer furor desde o ano passado. Assim que chegámos a casa com eles, a curiosidade do Pequeno Leitor foi imediata, consistente e inabalável. Finalmente, começa a apreciar histórias mais amplas, a estabelecer nexos narrativos, a procurar desafios como os trocadilhos – muito difíceis de conseguir a não ser que o texto esteja na língua original ou então muito bem traduzido (e está!).
Portanto, começámos a maratona de leitura das aventuras de um grupo insuspeito de animais, tipicamente mauzinhos, chefiados por um Lobo, esse malandro que até de mulher se veste quando a fome aperta.
Este Sr. Lobo está cansado de ser mau. Pior, de ser visto como mau e quer muito dar a volta ao texto. Então chama o Sr. Víbora, um desgraçado cético sopinha de massa (cá em casa pelo menos) que é pau para toda a obra, e usado frequentemente como arma de arremesso. Segue-se o Sr. Tubarão, perito em disfarces, sensível e mais contido nos apetites. (Pusessem um lenço ao pescoço e parecia aquele senhor do Masterchef Austrália que experimenta tudo com a colher de lado.) Temos depois a piranha colombiana que com todo o seu salero e sotaque alinha mais ou menos nas propostas. Sofre, contudo, de um estado crónico de ansiedade, sobretudo quando anda de carro, desenvolvendo muitos gases que tem forçosamente de libertar. Ora, todos sabemos que se os livros têm puns, o sucesso é garantido. “Habitua-te, chico!”
A páginas tantas (da saga e não do livro porque foi mesmo de enfiada), entra o hacker. Claro, nenhuma boa aventura sobreviveria nos dias de hoje sem um mestre da informática com várias patas. Obviamente, uma aranha chamada… Patas!
E mais personagens se proporcionarão ao longo das aventuras destes patifes aspirantes a anjos de Charlie, mas teríamos de revelar demasiado da história.
O vilão? Esse também teria de ser o menos evidente: um porquinho-da-Índia fofinho chamado Marmelada, que afinal tem planos para conquistar o mundo.
E a partir daqui começámos com a grande aventura. O Lobo não quer que achem que são maus, por isso, decide combater vilões. Resgata galinhas aprisionadas num aviário horrível, luta contra o grande vilão que quer transformar gatos em zombies… os perigos são imensos. E pelo caminho o Sr. Lobo ainda se apaixona por uma ninja mulher (o Pequeno Leitor autorizou esta participação especial, muito embora meninas e beijos e essas coisas todas sejam um nojo!), que é também agente secreta e precisa da ajuda dos mauzões bonzinhos. Só precisam de arranjar um nome fixe para o bando que infelizmente até ao livro quatro ainda não reúne consenso entre a equipa.
Que belas gargalhadas demos com estas histórias. Na leitura, as vozes são diferentes dentro do possível, claro, e lá está o Pequeno Leitor, sempre exigente, a alertar quando a Mãe troca o sotaque boliviano pelo sibilante da cobra.
Não explorámos muito a moral da história. Divertimo-nos e pronto. Mas há alguns valores que saltam à vista… Isto de querer inverter a perceção que os outros têm de nós não é fácil. O Facebook não chega, as palavras também não, muitas vezes. Mas os atos sim. E desistir quando a coisa complica também não pode ser opção. Há desafios que valem a pena. O otimismo do Lobo é insuperável e tem servido de exemplo nos momentos de menor confiança do Pequeno Leitor.
E se for preciso salvar galinhas quando nos apetece comê-las, ou apanhar um gato zombie e ficar de focinho esgadanhado só para conquistar aquela pessoa especial, então venha o vilão. Arregacemos as mangas e atiremo-nos à luta!
Para descobrir mais sobre os livros, basta clicar nas imagens das capas no início do post.