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dos 6 aos 10: o rapaz que despejou o mar

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dos 6 aos 10, Booksmile

No dia da famosa tempestade Leslie, antes de ela efetivamente entrar pela nossa costa, fomos ver um espetáculo multimédia (acreditem que é a melhor forma que temos de o descrever rapidamente), chamado “Doce Gotinha: uma grande viagem”. Contava de forma romântica, aventureira e extremamente doce as aventuras de uma gota acabada de nascer da mãe nuvem, e que inicia o seu ciclo de vida – o ciclo da água. A sala do Teatro Municipal de Matosinhos – Constantino Nery estava cheia de crianças (ainda que menos que nos dias em que a apresentação esteve dedicada apenas às escolas) e ecoava de espanto e gargalhadas e sustinhos bons, ao som das vozes José Pedro Gil, Catarina Furtado e o piano de Emanuel de Andrade. Falou-se do desperdício da Família Gastão, dos cuidados para preservarmos o mundo. De responsabilidade.

Chegámos a casa e revisitámos um autor: Paul Brown, editado pela Booksmile, particularmente o seu novo livro, “O rapaz que despejou o mar.”

Miguel faz castelos de areia mas fica chateado porque, por melhor que seja a estratégia, as ondas levam-nos sempre. Um dia, no banho, tem uma ideia. Se a banheira se esvazia, o mar também tem de se esvaziar. Decide então procurar a tampa no fundo do mar, para lhe tirar a água toda e acabar com os seus problemas. É claro que as consequências são evidentes. Ninguém morre, mas há todo um impacto que Miguel agora tem de reconhecer e resolver: os peixes não têm água e sobrevivem em pequenas poças, a cadeia alimentar interrompe-se, as calotas glaciares derretem. Então, Miguel procura a torneira-mestre e volta a encher o mar. E percebe que os castelos são importantes enquanto duram mas o resto também.

Oxalá os problemas do mundo se resolvessem assim tão facilmente. Mas esta foi uma forma divertida de revisitarmos o espetáculo que tínhamos visto e pensarmos o impacto das decisões individuais, naturalmente ao nível ambiental. Não é fácil aprender o nosso papel no mundo. Miguel também já tinha tentado apagar o sol e percebeu que não era boa ideia. O Pequeno Leitor ainda aprecia os banhos de brincar que evitamos a todo o custo quando sabemos que há seca e escassez em tantos sítios.

Somos, afinal, parte de um ser vivo maior que por vezes se descontrola como numa noite da tempestade. Há que respeitar o equilíbrio da natureza que está muito acima dos nossos castelos de areia, onde queremos ser reis todos os dias.

Para mais sobre o espetáculo Doce Gotinha: aqui.

Sobre o livro, aqui.

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