dos 3 aos 5: um dragão em brasa

dragao

dos 3 aos 5: Minutos de Leitura

O Pequeno Leitor adora livros esburacados. Sabe instintivamente que uma capa esburacada tem alguma coisa a querer fugir e convida a explorar. Este livro não foi exceção. E encheu-nos de particular orgulho quando, vendo-o com o livro na mão, lhe perguntámos: “lembra-te alguém”? E ele a sorrir respondeu: “Eu”.

Um sorriso um tanto culpado, como o ar aflito do dragãozinho. Mas ficámos contentes porque finalmente o Pequeno Leitor começa a tomar consciência de que por vezes explode, que é normal e não tem o exclusivo, mas que está na altura de começar a respirar fundo.

Têm pequenotes irritadiços e explosivos que querem sempre ganhar os jogos e ir para a cama de madrugada sem arrumar os brinquedos? Então, não deixem passar este livro.

Fred é um dragãozinho especialmente intenso. Detesta perder quando joga na consola, detesta ir à baliza e legumes ao jantar nem pensar! O único problema é que, dragãozinho que é, quando entra em ebulição, queima tudo! Queima a comida, queima a baliza, queima a televisão… Ui é só estragos. Mas o maior estrago dá-se quando o pequeno começa a “queimar” as amizades. Porque até os seus melhores amigos começam a ficar fartos e deixam de querer brincar com ele.

É então que Fred para para pensar e, não conseguindo chegar a nenhuma conclusão sozinho, pede ajuda à mãe. Esta explica-lhe que todos nos irritamos, mas que podemos sempre arranjar formas de lidar com isso, e que a dela é contar até 10. No dia seguinte, Fred experimenta e o truque funciona. Depois, lança-se no seu pequeno mundo e começa a estudar as várias formas que os seus amigos têm para lidar com os seus maus momentos. Por fim, consegue perceber que a chama que solta quando se zanga é uma energia negativa que pode ser reutilizada para fins bem mais interessantes. Neste caso, por exemplo, para insuflar de ar quente um balão, para ir poder passear com os amigos.

O Pequeno Leitor ainda não encontrou bem os seus dez segundos de pausa, mas está quase lá. Está numa idade em que ainda sente dificuldade em lidar com a frustração. Começou recentemente a jogar futebol e diz que quer ser o próximo Ronaldo (uma ambição que a mãe financia com orgulho, na esperança de poder vir para casa ler livros.) Brincadeiras à parte, Pai e Mãe perceberam cedo que era importante incutir algum interesse pela atividade física, mas reconheceram que fora das televisões e das negociatas, as competências do futebol (e outras modalidades) são muito interessantes: foco, trabalho em equipa, pensamento estratégico, reposicionamento na vitória e na derrota. Ainda é cedo para colher frutos, mas cá estaremos atentos a ver como evolui, rezando (e pondo algum de parte) que não resolva pegar fogo à baliza 😉

Nos intervalos do futebol, continuamos a leitura destes casos alheios. A cara de tacho de Fred quando vê os resultados das suas fúrias é impagável – a ilustração é brilhante nesse aspeto. O texto flui, não é moralista, mas apela à reflexão e ecoa muitas das conversas que os pais vão tendo com os mais pequenos, pelo que resulta natural e soa familiar.

Recomendamos. É um “eu bem te disse” mais positivo, no sentido de um “vamos lá pensar e melhorar”. Afinal, é ou não é por isso que temos filhos? Para nos reposicionarmos na vida e melhorarmos o mundo um dia de cada vez?

Mais, aqui.

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