dos 11 aos 13, Minotauro
No rescaldo do Dia das Bruxas, este é um livro carregado de magia, de bruxas e dragõezinhos mágicos. Devem tê-la visto por aí nas lojas Almedina, com grande destaque, porque é editado precisamente pela sua chancela, a Minotauro.
Numa aldeia remota, existe uma tradição de, a cada ano, deixar uma criança sacrificial na orla de um bosque, para ser recolhida por uma Bruxa, assim aplacando a sua fúria. É assim há anos sem conta. Este ano calha a mesma sorte a uma menina que, ao contrário do habitual, não é deixada a dormir. A Bruxa vai ao seu encontro e fica encantada: a menina sorri-lhe, faz os seus barulhinhos de criança e a Bruxa não lhe resiste.
Ora, cedo fica evidente que há aqui um mal-entendido qualquer. É que a Bruxa até hoje não sabe o que motiva aquela tradição. Mas todos os anos vai recolhendo a criança, apenas para a confiar a alguma família, para que seja criada em segurança. Simplesmente assume que os aldeões as abandonam, ano após ano, sem nenhum motivo em particular.
Todos os anos, a Bruxa passa a cada criança a energia do sol. Desta vez, contudo, por engano ou distração, passa a luz da lua, e chama Luna à menina, levando-a consigo para casa.
A Bruxa tem como companhia um dragão bebé (que é na verdade mais velho que a própria Bruxa mas super meigo) e um maior, que cita muitas vezes um tal de “Poeta” (são apenas máximas de bom senso mas a personagem é um verdadeiro tratado). Os três tornam-se parceiros na educação da menina que, a cada ano que passa, fica cada vez mais especial, desenvolvendo poderes mágicos.
Entretanto, do outro lado, surge Antain, um rapaz da aldeia, destinado pela família a tornar-se um académico, mas que parece ter pouco jeito para a coisa. Vai revelar-se um herói insuspeito, o típico rapaz curioso, que revoluciona o estado de coisas. Vive intrigado com uma mulher louca, presa na torre do castelo onde estuda, que ficou assim porque lhe levaram o bebé. Terá alguma coisa que ver com Luna? 🙂
Porque quer ajudar, ocorre a Antain ir falar com a Bruxa, ajudando a pobre louca a fugir da torre. A Bruxa, por seu lado sente que algo está a mudar e que está a perder poder para Luna, que o absorve. E Luna, à medida que cresce, começa a questionar-se sobre as origens.
Aos poucos a história vai começando a encaixar, caminhando para um confronto final em que o papel de cada personagem se torna evidente e em que se explica o porquê daquela tradição de abandonar as crianças no final do bosque.
É uma história extremamente meiga, mágica, com o cheirinho a clássico daquelas lendas que ouvíamos das nossas avós. O bosque não assusta, a lua não é a dos lobos, as mágoas saram todas mais lá para o final.
Perfeito para uma noite fria.
Mais aqui.
Um pensamento sobre “dos 11 aos 13: a rapariga que bebeu a lua”