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dos 11 aos 13, BOOKSMILE
Desta vez, a leitura coube à Mãe do Pequeno Leitor. O texto ainda é extenso para a idade, e andamos a ver se adiamos a tristeza um pouquinho mais. Muito embora, este fim de semana, ao ver as notícias sobre Pedrógão ele tenha perguntado se tinham morrido mais pessoas no nosso mundo. ☹
Este foi um livro revisitado, depois de uma leitura em criança e numa adaptação televisiva relativamente recente. É extraordinariamente comovente. Conta a história de Zezé, o próprio José Mauro de Vasconcellos, e as condições de extrema pobreza que lhe marcaram a infância. Levado da breca, sempre metido em sarilhos, sempre a provocar e a esticar a corda, como aqui dizemos, carrega as marcas das surras de pais, irmãos e primos, frustrados por não conseguirem processar/educar no sentido do bom comportamento. Há apenas uma figura, o Portuga, imigrante de Trás-os-Montes, que lhe reconhece sensibilidade, extrema criatividade e uma alma e coração a proteger. O final é trágico, Portuga torna-se mais que um pai para Zezé, vê-o quase como herdeiro e promete resgatá-lo da miséria que é a sua vida. Mas acaba por perder a vida num acidente de viação, deixando o pobre Zezé ainda mais desamparado.
Tantas questões que levanta, mesmo não sendo um livro da nossa época. A educação, a “mão lampeira”, o portar bem vs a esperteza saloia, a frustração, a pobreza, a lealdade, a inteligência (sobretudo emocional) à prova de todas as misérias. Valente desafio de leitura, mas um tesouro para a vida. Aqui.
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